Anairamgui
O inverso do avesso, porém não o certo. A objetividade turva que se mostra concreta e esconde incertezas.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Quão bobo?
Quão bobo pegar teus papéis pra ter uma desculpa?
[des]propositalmente enconstar os braços...
perguntas ao pé do ouvido,
me esperar na parada,
te oferecer vinho,
me questionar o caminho,
te fazer travar,
me fazer emudecer,
te querer aqui,
me querer aí,
quão bobo essa vontade?
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
João
João foi alcunha de apóstolo, imperadores, reis, papas, príncipes, infantes. Hoje João é um nome comum, considerado pobre, simples. João é multidão.
Eu conheço três “João”, e posso dizer que foram os homens mais importantes da minha vida. Dois que me foi dado por sangue e um que me escolheu para sua família, e é deste que falo agora.
Esse João é digno de títulos nobres, não essa nobreza infame, mas aquela que poucos carregam dentro de si, aquela que transparece nas ações e não por coroações.
Esse João também é multidão, multidão dentro de si, multidão que nos abarca, todos nós que compartilhamos de sua companhia.
Esse João fala com olhar; ele diz que nos ama sem pronunciar palavra alguma; é carinhoso sem abraçar; é rigoroso sem violência; é amigo, no sentido estrito do termo. Ele é todo amor.
Eu conheço três “João”, e posso dizer que foram os homens mais importantes da minha vida. Dois que me foi dado por sangue e um que me escolheu para sua família, e é deste que falo agora.
Esse João é digno de títulos nobres, não essa nobreza infame, mas aquela que poucos carregam dentro de si, aquela que transparece nas ações e não por coroações.
Esse João também é multidão, multidão dentro de si, multidão que nos abarca, todos nós que compartilhamos de sua companhia.
Esse João fala com olhar; ele diz que nos ama sem pronunciar palavra alguma; é carinhoso sem abraçar; é rigoroso sem violência; é amigo, no sentido estrito do termo. Ele é todo amor.
domingo, 13 de novembro de 2011
Foi assim.
Nossos olhos percorreram em busca de resquícios de "sentir", de sorrisos, trejeitos e até caretas de outros tempos; tão triste eles não brilharem; tão triste um amor tão bonito não surgir no instante. Tão triste o despedir, e as despedidas já foram tantas; tão triste nos perdemos um pouco em cada uma delas; tão triste ainda haver amor sem poder pousar. Pois do que adianta amor se nossos tempos já não se encontram, o abraço já não se encaixa e os fatos são tão concretos?
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
O telefone.
O alô.
A voz.
A saudade.
O desgaste.
O sussurro.
O espasmo.
Os fatos. Ah, os fatos.
Exatos.
Latentes.
Lascivos.
O casaco.
As ruas.
Os passos.
O frio.
O mar.
O vento
O tempo.
Os fatos. Ah, os fatos.
Conscientes.
Inconsequentes.
Presentes.
O retorno
A casa.
A cama.
Vazia.
O trago.
Um maço,
dois,
três...
Os fatos.
Sempre os fatos.
O alô.
A voz.
A saudade.
O desgaste.
O sussurro.
O espasmo.
Os fatos. Ah, os fatos.
Exatos.
Latentes.
Lascivos.
O casaco.
As ruas.
Os passos.
O frio.
O mar.
O vento
O tempo.
Os fatos. Ah, os fatos.
Conscientes.
Inconsequentes.
Presentes.
O retorno
A casa.
A cama.
Vazia.
O trago.
Um maço,
dois,
três...
Os fatos.
Sempre os fatos.
sábado, 8 de outubro de 2011
Quando quase morto
Tudo isso vai passar? Não, não vai passar; sim, eu vou morrer, assim como tu, assim como todos; não, não me console, não quero consolo, eu quero a vida, e é bem verdade que eu a tive em abundância, não em tempo, mas em qualidade; você estava lá? sim? então não me console, só me abrace, me de um beijo, seja clichê e diga que me ama, só não me console.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
A menina sem lágrimas
Ela costumava sonhar (é bem verdade que lhe agradava muito mais colecioná-los a realizar-los). O plano das idéias sempre foi o seu preferido; a materialização dos atos pensados era consequência, porem a magia toda estava no pensar, no sentir, no passar das horas arquitetando mentalmente conversas, encontros e encantos que nunca se tornariam real. Ela tinha também medo, talvez isso explique sua preferência por uma vida imaginaria, apesar dos seus pensamentos e construções na maioria das vezes não fazerem o tipo “final feliz”, ao menos na sua imaginação, até a sua tristeza ela poderia controlar, aumentar aos poucos para ver até onde suportaria; talvez um tanto masoquista. Mas seu medo não era tanto de decepções quanto da sua atitude diante dos fatos, tinha certo fascínio pela perfeição. Nunca teve problemas em assumir seus erros, menos ainda em pedir desculpas, pois isto ela fazia repetidamente, em demasiada falta de necessidade. Mas era o ato de errar ou menos ainda, a mera desconfiança de haver erro nos seus gestos que a deixava deprimida. Ela tinha amor e doava-o sem muitos questionamentos, esperava a mínima reciprocidade que fosse, mas o silencio alheio nunca alterou seu exacerbado jeito de amar, de demonstrar afeição. Não se importava com o tempo, mas com a intensidade dos encontros, amava amigos de anos tão quanto suas amizades construídas em uma semana; pronunciar “eu te amo” demorou alguns anos, mas quando aprendeu nunca dispensou uma oportunidade de dizê-lo e nunca o fez com falta de sinceridade. Amar indiscriminadamente talvez a tenha tornado carente demais, pois visível era a necessidade de sentir o amor dos outros, como alimento vital para continuar doar o seu, como quem precisa de tempo para se recuperar depois de doar sangue. Ela era extremamente magoável, tudo lhe abatia em proporções maiores, amar demais tinha um preço alto, e o tempo foi lhe deixando marcas as quais ela ainda não entende. Ela tinha uma relação estranha com a tristeza, uma relação de dependência, não que ela se furtasse da felicidade, mas a tristeza lhe era intrínseca. Ela gostava de chuva, do dia amanhecendo nublado, da escuridão clareada por estrelas. Ela também gostava de estar entre amigos, de rir, de guardar fotografias e olhá-las ano após ano relembrando cada detalhe; sua memória era notável, sempre foi presa às lembranças. Ela costumava saber ser tudo isso: sonhadora, medrosa, amorosa, sensível, melancólica. Ela costumava chorar por coisas tristes, lindas ou bobas. Hoje ela é um poço de confusão, angustia e desamor; tem medo das pessoas, de amar, tem medo do seu próprio sentir; nem suas construções imaginarias lhe servem mais como refugio, perderam as cores. Suas lágrimas se foram junto com tudo o quanto ela tinha por mais caro, sua múltipla forma de sentir, de pensar, de amar; seus sentimentos tornaram-se temerosos e se guardaram onde até ela tem medo de entrar.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Ah, o tempo...
Ah, esse tal de tempo! Insano, instável. Me disse que te levaria; que eu já podia andar tranquila, pois já era outra minha sina. Tempo bom de papo, comigo se apalavrou e não deu conta do meu sentir, não apagou meu querer; tempo dissimulado. Ah, esse tal de tempo! enrola os fatos em capa fina e os joga no vento quando bem decide. Será que o danado não sabia que no meio da ventania tu irias voltar aqui?
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